Hipertextos e Alfabetização

A Escrita e a Leitura no Hipertexto



A tecnologia trouxe uma nova cultura educacional onde pode-se aplicar ferramentas que transcendem a escrita pura e simples facilitando a produção de textos para um entendimento facilitado que pode ser compartilhado e produzido simultaneamente e coletivamente. As limitações ainda existentes,são decorrentes da necessidade da alfabetização digital, tão necessária ainda hoje.

Mas...

O que muda na alfabetização, no letramento, nos processos educacionais, na cultura digital?

Muda a forma de encarar a alfabetização que ainda se dá em compartimentos estanques, em um momento a oralidade, em outro, a escrita. Na cultura digital esse processo se inverte, com ênfase maior na escrita, a partir do teclado e note-se que no teclado as letras não estão arrumadinhas em ordem alfabética, porém a alfabetização vai se processando. 

Para Emília Ferreiro, a criança deve cedo ter contato com vários textos; jornais, revistas, enciclopédias. "Com o advento da internet nasceu também o espaço mais intertextual e mais variado que existe, mais até que uma biblioteca. Ou seja, quem está alfabetizando com textos variados prepara sua turma muitíssimo mais para a internet do que quem faz um trabalho mostrando primeiro uma letrinha e depois a outra".

 Como a escola pode lidar com a cultura do hipertexto?

A escola deve adequar-se à era digital, valorizar a pluralidade de textos e conceber o computador como aliado poderosíssimo no processo de letramento e alfabetização.

A Internet está mudando nossa relação com a leitura e a escrita dignificativamente. Na Internet temos a possibilidades de multi-leituras ao mesmo tempo, com estímulo à escrita como resposta ao pensamento que nasce da interatividade, o que faz nascer dessa forma,multi-escritas: textos, desenhos, fotografias e outros.

O computador e a Internet são aliados para potencializar a leitura e a escrita. Isto levará em conta o nível de interesse e motivação que que o leitor-escritor terá para fazê-lo, bem como a exigência de se expressar de forma rápida.É por isso que também a Internet preconiza uma outra forma de escrita, que também desafia os educadores a uma outra forma de ensinar que valorize estas novas escritas e delas tire proveito, comparando-as, regionalizando-as. Devem ser vistos como mais um desafio, não uma ameaça.



Hipertextos: desafios e possibilidades



O professor deve se preparar para adquirir autonomia no tocante à utilização das tecnologias na sala de aula, pois o discurso corrente é que as crianças, os adolescentes e os jovens têm mais intimidade com todas estas novidades tecnológicas do que os professores e isto muda as relações de poder no ambiente escolar, o que pode dificultar um pouco a situação do professor. Neste contexto o professor deve fazer parceria com seus alunos e assim construir relações totalmente novas onde educando e educador tornam-se aprendizes. 

Acredita-se que as dificuldades que os leitores/cibernautas encontram na leitura apoiada por suportes virtuais são o excesso de informações e recursos disponíveis na rede mundial de computadores o que pode desviar a atenção dos alunos ou leitores e confundí-los, inclusive com relação à qualidade das obras disponibilizadas na web, entretanto um trabalho sério, responsável por parte da escola, e do professor pode amenizar estas dificuldades, uma vez que é possível proporcionar a organização de trilhas a serem seguidas a partir da indicação de sites, elos hipertextuais a fim de que o aluno acesse os links e descubra novas janelas que vão lhe ajudar na construção de determinada atividade. Sabe-se que para o sucesso deste processo é necessário que educando e educador leiam, analisem e reflitam sobre o que realmente é mais interessante para o desenvolvimento da atividade a que eles se propõem construir e os objetivos que desejam alcançar. 

Por todos os benefícios, ferramentas, pluralidade de possibilidades de leitura e escrita pode-se afirmar que as TICs não ameaçam o processo de letramento, e sim, são possibilidades dentre tantas outras de transformar seres humanos em leitores críticos, participativos enfim cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. O computador, a internet e o hipertexto devem ser vistos como um desafio ao processo de letramento, como elementos potencializadores do ato de ler e escrever e não como uma ameaça, também não devem ser impostos de uma hora para outra, tornando-se o foco do ensino, As tecnologias devem sim ser inseridos na escola, mas de forma gradativa a fim de não causar desconfortos, pois são recursos ainda não acessíveis à maioria da população. 




Hipertextos e Multimídia x Formas Tradicionais de Leitura e Escrita



Pode-se dizer que o hipertexto e os recursos multimídia permitem que o aluno experimente o conhecimento de uma maneira que seria impossível com as fontes tradicionais de referência.

Assim, a curiosidade e imaginação do aluno transformam-se em um poderoso dispositivo a serviço de umaaprendizagem mais criativa e autônoma. Pois, ao navegar nos nodos (termo que significa “nó”, representa cada ponto de interconexão com uma estrutura ou rede) do hipertexto, o leitor vai criando suas próprias opções e trajetórias de leitura; experimentando o texto e modificando seu conteúdo. 


"Sendo assim, a linearidade proposta pelo livro tradicional dá espaço dinâmico à escrita e leitura não sequencial (hipertextos)" 

Além disso, no hipertexto, a distinção entre autor e leitor não é tão clara. Ele concede ao leitor certas funções de autoria: a possibilidade de agregar nodos, criar conexões, utilizar filtros, etc. O papel do autor vai além da simples escrita: pode assumir a apresentação e o projeto do livro, criar gráficos, produzir animações, vídeos, efeitos sonoros, fotografias ou textos orais, e determinar as diversas ações do programa. A internet tem levado as pessoas a lerem mais e a usarem mais a escrita. 

Dessa forma, muitos internautas têm ficado mais habilidosos no manuseio e na criação de formas específicas de lidar com a língua: nova ortografia, neologismos, escrita com traços orais e semialfabética, onomatopeia, etc. 

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